A morte de Zygmunt Bauman, aos 91, deixa a pós-modernidade orfã, mas ainda na liquidez

Ainda que já muito idoso estivesse, com seus 91 anos de idade, o recente falecimento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman,.

Ainda que já muito idoso estivesse, com seus 91 anos de idade, o recente falecimento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, também conhecido como “pai da modernidade líquida” ou “profeta da pós-modernidade”, no dia 9 de janeiro deste ano, em Leeds (Inglaterra), deixou a todos que conheceram a importância do seu trabalho, não só tristes, mas receosos da falta que este fará à intelectualidade mundial, com sua percepção aguçada e há quem diga até premonitória.

 

Nascido na Polônia, no dia 19 de novembro de 1925, o renomado intelectual, além de graduar-se em sociologia, na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e ter militado intensamente pelo Partido Comunista Polaco, durante as décadas de 1940 e 1950, teve como um marco de vida a sua participação na Segunda Guerra Mundial, servindo, obviamente, pelo exército soviético. Também, como é de se esperar, foi professor emérito de sociologia, tanto na Universidade de Leeds, quanto na de Varsóvia. Zygmunt Bauman, além de intelectual, foi também pai de família. E, com sua esposa, de nome Janine Bauman, que conheceu nos acampamentos de refugiados polacos, teve três filhas. A de nome Anna tornou-se matemática; enquanto que Irena preferiu a arquiteta; e Lydia tornou-se pintora. Nenhuma, pelo o que se vê, quis seguir a carreira do pai, na sociologia.

 

Como todo célebre profissional de alguma área, recebeu os devidos prêmios pela sua, como o prêmio Amalfi, em 1989, por sua obra de nome Modernidade e Holocausto; e, em 1998, o prêmio Adorno, pelo conjunto de sua obra. Mas, afinal que obra é essa? Bem, se preciso fosse resumi-la demasiadamente, bastaria que se dissesse ser Zygmunt Bauman, da virada do século XX para o século XXI, um dos seus mais influentes pensadores, graças à sua metáfora da “liquidez”, a qual é aplicada tanto à sociedade, quanto à vida, ao tempo e à arte do “mundo pós-moderno”, ou então “pós-industrial”.

 

Encontra-se muito sobre Zygmunt Bauman e suas teorias, pela internet afora, mas se for para ser mais descritivo, pode-se dizer que a tal “liquidez” das relações sociais, de que ele tanto falava em suas obras e entrevistas, na modernidade e pós-modernidade, permitiu um desdobramento amplíssimo nos mais variados campos de estudos humanos, como a cultura, a filosofia e o relacionamento humano, focando-se mais na questão do individualismo e de serem efêmeras as relações por consequência, incluindo aí as modificações sociais trazidas pelo advento das mídias digitais.

 

E engana-se quem pensar que Zygmunt Bauman, apenas por estar em plenos 91 anos de idade, estaria já aposentado de seu trabalho intelectual que o tornou célebre. Pelo contrário, o sábio ancião não parava de trabalhar, seja por meio de livros, teorias ou entrevistas concedidas. Desse modo, faleceu sendo ainda um dos maiores sociólogos e filósofos do fim do século XX e início do século XXI. Sem contar que, considerando-se as traduções de suas obras para vários idiomas, inclusive para o português, percebe-se que a sua relevância, e agora também a sua falta, marcou, marca e marcará os estudiosos das ciências humanas em todo o mundo.

 

This article was written by BeaC.