Corte orçamentário na FAPESP – quais os impactos na área científica brasileira?

A FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – é uma instituição de ponta na.

A FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – é uma instituição de ponta na área de ciência e tecnologia brasileira. Motivo de orgulho para o estado de São Paulo e para o Brasil, a FAPESP funciona desde 1962, e, em seus 54 anos de existência, contribuiu imensamente para o desenvolvimento científico-tecnológico brasileiro, por meio da concessão de bolsas e auxílios a pesquisas em todas as áreas do conhecimento. A instituição fomenta pesquisas, da graduação ao pós-doutorado, nos mais vastos campos da ciência, e, por meio de rigorosas vistorias e relatórios, traz, com sucesso, resultados positivos para o país, nas áreas de medicina, engenharia, biotecnologia, astronomia e etc. A FAPESP é, em última análise, “a” estrutura de fomento à pesquisa no estado de São Paulo.

Mas tal estrutura corre sérios riscos financeiros. Por meio de uma alteração na lei orçamentária da cidade,  a Assembléia Legislativa de São Paulo retirou cerca de 120 milhões de reais em investimento na instituição. A alteração orçamentária é consideravelmente brusca, e pode trazer danos quase que irreversíveis à área científica do país, que, infelizmente, já não está entre as mais destacadas do mundo.

A Assembléia Legislativa justifica sua decisão alegando que os recursos retirados da FAPESP serão realocados em outros institutos de pesquisa estaduais, como o Butantan, por exemplo, que estariam com dificuldades financeiras. De fato, os institutos estaduais também não estão com suas finanças prosperando, mas retirar terra de um buraco para cobrir o outro não é exatamente uma ideia inteligente. Além disso, os defensores do corte orçamentário afirmam que os recursos devem ser realocados para a área de pesquisas aplicadas – a FAPESP fomenta, via de regra, pesquisas nas cadeiras básicas das ciências, as matérias dos primeiros anos dos cursos superiores e que, em última análise, sustentam todo o conhecimento que virá em sequência. Por esse mesmo motivo, tal justificativa é equivocada: as áreas de pesquisa básicas, embora não tragam o status das pesquisas aplicadas, são, sim, a base da ciência, e os investimentos na base trazem resultados duradouros a longo prazo, como uma elevação no nível científico de todo um país.

As cadeiras básicas são tão importantes que ganham prêmios Nobel – o Nobel de fisiologia e medicina de 2012, por exemplo, que mostra a possibilidade de reprogramar células já diferenciadas e fazê-las voltar ao estado de células-tronco, fia-se inteiramente nas cadeiras básicas, como fisiologia, bioquímica, biologia celular e afins, para se sustentar. Agora, no entanto, podemos apenas torcer para que nossos legisladores voltem à razão e invistam na base, para que resultados duradouros sejam construídos no tocante à ciência e tecnologia brasileiras.

This article was written by BeaC.