Foram descobertas larvas que comem e digerem plásticos

A bióloga evolutiva Federica Bertocchini, é pesquisadora do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia da Cantabria, na Espanha, e nas suas.

A bióloga evolutiva Federica Bertocchini, é pesquisadora do Instituto de Biomedicina e Biotecnologia da Cantabria, na Espanha, e nas suas horas livres, ela é apicultora.

Unindo o seu conhecimento como bióloga e o seu amor pelas abelhas, a resolução do problema para os resíduos plásticos descartados no planeta, pode estar perto de ser resolvido. Coordenadora de uma equipe de pesquisadores, Bertocchini publicou as conclusões do seu estudo na revista Current Biology.

O seu estudo concluiu que a larva da traça Galleria mellonella, tem preferência pelas colmeias, especialmente pelos favos, onde elas colocam seus ovos que irão se tornar larvas, levando até sete semanas na fase de pupa, até se tornarem mariposas.

Quando a bióloga em um determinado dia, tirou as desagradáveis larvas parasitas de uma determinada colmeia, colocando-as num saco de polietileno para jogá-las fora, ela descobriu que as larvas conseguiram sair da sacola em pouco tempo, fazendo um buraco nela.

Já era do conhecimento de pesquisadores, que as larvas da traça-grande-da-cera, podem passar por sacolas plásticas também. Em conferências entre donos de terrários e apicultores, são relatadas várias informações sobre esse tema. Além de ser usada como isca pelos pescadores, as larvas também servem como alimentos de répteis.

Mas até o momento, não se tinha certeza se essas larvas de traças somente ingeriam o plástico para depois excretá-lo, ou se seriam capazes de ingeri-lo e efetivamente degradá-lo.

Existe o conhecimento de que as traças-das-roupas, além de ingerirem lã, também comem roupas de tecidos combinados, mas são somente os elementos de lã do tecido, que são digeridos. Dessa maneira, é excretado somente as fibras de plástico como microplástico.

A bióloga procurou saber como se desenvolvia esse método. Através de uma análise espectroscópica, foi constatado que a traça de guarda-roupa é diferente da traça-grande-da-cera, que ao que parece, não elimina nenhum microplástico, mudando quimicamente o polietileno para etilenoglicol.

Juntamente com os pesquisadores Paolo Bombelli e Christopher Howe, a bióloga ainda fez testes em laboratórios da Universidade de Cambridge. Eles colocaram em torno de cem larvas de traça-grande-da-cera dentro de sacolas de material plástico. Passando cerca de quarenta minutos, eles observaram furos na sacola e depois de doze horas, as larvas tinham ingerido mais de noventa miligramas do polímero. De acordo com a pesquisadora, esses números de degradação são altos.

Federica Bertocchini, acha que no caso das traças-grandes-da-cera, elas devem possuir uma enzima que rompe os ligamentos químicos, que são encontrados na cera das abelhas e nos plásticos.

Os pesquisadores estão estudando essa enzima, para que eles possam identificá-la. Se essa enzima puder ser produzida de forma industrial, ela poderá ser utilizada para o descarte de forma ecológica dos sacos plásticos ou ainda a destruição em aterros através da aplicação de forma direta da enzima.

Anos atrás, alguns pesquisadores americanos e chineses observaram a larva da traça da farinha. Essas larvas, também chamadas  de bicho-da-farinha , também conseguem perfurar plásticos, digerindo o polietileno através do auxílio de bactérias. Mas esse processo acaba demorando mais do que quando as traças-grandes-da-cera começam a comer sacos plásticos, usando enzimas. O objetivo é descobrir que enzima atua nesse processo.

 

This article was written by BeaC.