Nova proposta da USP tem estratégia terapêutica para tratamento de câncer

Quando o organismo sofre alguma agressão, seja simples como um corte no dedo ou um processo cirúrgico, as células que.

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Quando o organismo sofre alguma agressão, seja simples como um corte no dedo ou um processo cirúrgico, as células que ficam em volta da área lesionada recebe sinais de proliferação intensas para que regenere o tecido que sofreu danos.

Com o câncer não é diferente, as células tumorais são eliminadas através dos tratamentos com radioterapia ou quimioterapia, e logo após retornam de uma forma até mais agressiva. A coordenadora do projeto e professora Sonia Jancar, junto a pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, apontou que a proteína que tem o nome de PAFR receptor do fato de ativação plaquetária, desempenha um papel-chave na repopulação do tumor, em alguns tipos de câncer estudados por eles.

“Em experimentos com linhagens tumorais realizados em camundongos, observamos que fármacos capazes de bloquear PAFR inibiram significativamente o crescimento dos tumores e o fenômeno da repopulação tumoral após radioterapia. Sugerimos, portanto, a associação da radioterapia com antagonistas desse receptor como uma nova e promissora estratégia terapêutica” explica Jancar.

A linha de investigação que teve início em 1990, o grupo mostrou que os tumores que foram induzidos na cavidade peritoneal testadas em camundongos tiveram um crescimento significativo, exceto quando o PARF era bloqueado. Os pesquisadores observaram que o tratamento antagonistas do receptor, ativou as células de defesa conhecida como macrófagos e inibiu o desenvolvimento do câncer. Anos após o doutorado de Soraya Imon de Oliveira, em parceria com o professor Roger Chammas da Faculdade de Medicina da USP, mostrou que os camundongos tratados com antagonistas de PAFR, o melanoma cresce em menor quantidade.

Durante o doutorado de Ildefonso Alves da Silva Junior, recentemente o grupo notou que a ativação desse receptor induz a proliferação das células tumorais, protegendo-as assim da morte pela radioterapia.“Silva-Junior mostrou que a irradiação induz a produção de moléculas semelhantes ao PAF, que ativam o PAFR na célula tumoral e induzem um aumento na expressão desse receptor e a proliferação das células tumorais. Essa ativação, portanto, promove a repopulação tumoral. Esse trabalho confirmou ainda, por métodos mais sensíveis, que os macrófagos existentes no microambiente do tumor, quando são tratados por fármacos bloqueadores do PAFR, são reprogramados para combaterem melhor a doença”, contou Sônia.

Foi comprovado o envolvimento de PAFR durante os experimentos que no fenômeno de repopulação tumoral foram realizados com linhagem de carcinoma de boca e de carcinoma de colo de útero dos camundongos com câncer, que eram tratados especialmente com a rádio. Foi simulado um tratamento radioterápico onde as células tumorais eram colocadas em um meio de cultura e depois cresciam, sendo possível observar que as moléculas fizeram uma grande produção semelhante ao PAF nas culturas. Silva Junior explica que. “O PAF é na verdade, um fosfolipídeo produzido principalmente em processos inflamatórios e de morte celular. Como a radioterapia causa uma morte inflamatória das células tumorais, os níveis de PAF aumentam muito com esse tratamento”.

Para Sonia o ideal seria o resgate dos estudos realizados na década de 1980 em pacientes com asma e pancreatite, pois a pesquisadora acredita que “Para essas doenças os ensaios foram negativos, mas podem ser positivos contra o câncer. Espero que nossas publicações alertem outros pesquisadores da área para que possam dar esse passo. Enquanto isto estamos avaliando formas de proteger os achados”.

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This article was written by BeaC.